| Segundo especialista,
volume seria suficiente para acionar uma termoelétrica
de 100 MW
Por entraves na regulamentação e nas regras
do Protocolo de Kyoto, o Brasil queima hoje cerca de 1 milhão
de metros cúbicos de gás natural por dia em
aterros sanitários, estações de tratamento
de água e na agroindústria. O combustível,
que representa 3% da capacidade do Gasoduto Bolívia-Brasil
(Gasbol), é suficiente para abastecer 200 postos com
gás natural veicular (GNV) ou acionar uma usina termoelétrica
de 100 megawatts (MW).
Chamado de biogás, o combustível é proveniente
de resíduos sólidos, como dejetos de animais,
e pode ser tratado e transformado em gás natural para
ser inserido na rede de distribuição, gerar
energia ou abastecer veículos. Algumas iniciativas
já aproveitam o combustível, como os aterros
sanitários São João e Bandeirantes, em
São Paulo, que destinam o gás para geração
térmica. O aproveitamento, porém, ainda é
pequeno.
"Nos Estados Unidos há mais de 500 projetos de
aterros que geram energia, além de grande aproveitamento
de gás natural renovável para movimentar frotas
de caminhões da indústria pecuária",
diz Marcio Schittini, sócio da Acesa, empresa com dois
projetos de aproveitamento de biogás em implantação
no País. No Brasil, diz, há mais de 40 aterros
que não aproveitam o combustível.
Para Schittini, a falta de projetos é fruto da falta
de autorização da Agência Nacional do
Petróleo (ANP) para o uso como combustível veicular
e do modelo adotado pelo Protocolo de Kyoto, que não
permite ganhos econômicos com projetos que gerem créditos
de carbono. "Muitos produtores rurais têm biodigestores
para separar o biogás, mas preferem queimá-lo
para atuar no mercado de crédito de carbono",
explica.
Uma mudança nessa regra permitiria que, com pouco investimento,
os produtores separassem o gás natural do biogás
para abastecer frotas ou gerar energia. Schittini usa o termo
"gás natural renovável" para defender
alterações necessárias para a difusão
do combustível no Brasil. E compara com o biodiesel,
misturado no diesel na proporção obrigatória
de 2%.
Um dos projetos da Acesa prevê o aproveitamento de gás
a partir de dejetos de criações no Rio Grande
do Sul, com capacidade de produção de 10 mil
metros cúbicos por dia. O investimento, de valor não
revelado, prevê a venda do gás como combustível
automotivo. O produto será comprimido e transportado
em caminhões.
Antes, porém, é necessária a regulamentação
na ANP, que até hoje reconheceu só um pedido
de uso de biogás, no complexo petroquímico de
Camaçari (BA). Um projeto-piloto está sendo
desenvolvido em parceria da Acesa com a Petrobrás e
a Cedae na Estação de Tratamento de Esgoto Alegria,
no Rio. Com investimento de R$ 1,1 milhão por meio
de um fundo de pesquisa e desenvolvimento, terá capacidade
para 25 mil metros cúbicos de gás por dia.
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