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RIO - A Agência
Nacional do Petróleo (ANP) decidiu estudar medidas para conter
o desperdício de gás natural nas plataformas da Petrobras.
Em reunião realizada ontem, a direção da agência
aprovou a realização de uma consulta pública
sobre novas regras para cobrar participação especial
sobre o gás queimado. A ideia é aumentar os custos
da empresa com o combustível não vendido ao mercado
consumidor.
A queima de gás se tornou um problema relevante nos últimos,
devido ao crescimento da produção sem aumento correspondente
no mercado consumidor. Em 2009, o Brasil atingiu níveis inéditos
de queima, com a média de 9,38 milhões de metros cúbicos
por dia, volume equivalente ao consumo do Estado do Rio de Janeiro.
No primeiro trimestre deste ano, a queima foi reduzida a uma média
de 7,49 milhões de metros cúbicos por dia.
Como a maior parte do gás brasileiro é
extraído junto ao petróleo, a Petrobras é obrigada
a produzir o combustível se quiser ampliar suas vendas de
óleo. Como não tem mercado suficiente para vender
gás, queima ou reinjeta o combustível nos poços
- no ano passado 11,92 milhões de metros cúbicos foram
injetados, em média, por dia. Esse gás, porém,
pode ser reaproveitado no futuro.
A ANP não comentou os objetivos da proposta
de consulta pública, mas segundo especialistas, o objetivo
é forçar a Petrobras a realizar investimentos para
vender ou reinjetar o excedente de gás. Parte dos volumes
queimados atualmente já pagam participação
especial - taxa cobrada sobre os grandes campos produtores - mas
a Petrobras tem usado um grande leque de justificativas previstas
em lei para conseguir isenção da cobrança.
"Acredito que a ANP vá propor maiores
limites para se definir o que é queima justificável
ou não. É uma questão muito subjetiva",
comenta o consultor Rafael Schechtman, diretor do Centro Brasileiro
de Infraestrutura (CBIE) e ex-superintendente de participações
governamentais da agência. Entre os motivos usados pela Petrobras
para aprovar a queima sem impostos estão a falta de rede
de transporte e manutenção de equipamentos.
O pagamento de participação especial
varia de acordo com a rentabilidade de cada campo petrolífero.
O maior pagador hoje é Roncador, na Bacia de Campos, com
uma alíquota de 31,5%. São 16 campos que pagam a taxa,
sendo que em Jubarte, também em Campos, não há
cobrança sobre a produção de gás. Também
não havia recolhimento sobre o gás de Golfinho, no
Espírito Santo, até o quarto trimestre de 2009.
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