| O terceiro
e último dia do Gas Summit Latin America 2010, que acontece
desde segunda-feira (24) no Rio, contou com um grande debate sobre
o uso do gás natural veicular (GNV) em veículos pesados
como substituto do diesel.
De acordo com os participantes, a substituição
reduz as emissões de gases poluentes e é uma alternativa
viável, tecnológica e econômica.
Por conta do crescente aumento da frota de veículos
utilizando o óleo diesel como combustível, e as implicações
de natureza ambiental e de dependência da importação
desse combustível, tem surgido diversas iniciativas para
sua substituição.
Segundo Rosalino Fernandes, presidente da Associação
Latino-Americana de GNV (ALGNV), neste cenário, a principal
alternativa ao diesel tem sido o gás natural. "O gás
natural é utilizado de forma comercial há mais de
vinte anos, embora no Brasil as tentativas de sua utilização
tem enfrentado barreiras, de natureza operacional e financeira",
aponta o executivo.
Fernandes indica ainda que na América Latina
como um todo, o panorama do GNV é positivo. E explica que
a partir de experiências realizadas no exterior, o uso do
gás natural em veículos pesados já vem sendo
empregado há mais de vinte anos, especialmente por conta
dos benefícios resultantes do seu uso, como a redução
em 40% das emissões poluentes causadas pelo diesel, especialmente
impactando a saúde da população exposta aos
seus efeitos. "O ruído causado também a partir
dos motores a diesel pode ser reduzido em até 50%, como tem
sido comprovado em experiências no exterior e testes de laboratórios
feitos no Brasil", complementa.
De acordo com Fernandes, esses benefícios
tem importante amplitude social e econômica, especialmente
do ponto de vista da saúde pública, para motivar uma
profunda reflexão, seguida de discussões sobre o tema.
O executivo apontou ainda como principais benefícios dessa
substituição: o aumento da segurança energética
nacional e a redução de ruídos e riscos ambientais.
"Consideramos o gás natural como grande
alternativa para a redução das emissões. No
caso brasileiro, o aumento da oferta em gás vai trazer grandes
oportunidades para esse mercado, mas será necessário
políticas de estímulo eficientes do governo para se
expandir e aproveitar isso", diz Alessandro Depetris, responsável
pela homologação de veículos da IVECO.
Entre os temas que foram abordados no evento, estiveram:
as experiências na América Latina sobre o uso em GNV
de veículos pesados, apresentação do kit de
conversão diesel – gás em desenvolvimento pela
indústria e a sua performance e a visão da fabricante
de motores sobre a nova tecnologia, análise de normatização
do GNV em veículos pesados no Brasil.
Programa de GNV em veículos pesados para
o Estado do Rio de Janeiro
A expansão do uso do GNV não apenas
para veículos leves, mas também para pesados, esta
sendo uma das premissas do projeto da secretaria de estado de desenvolvimento
econômico, energia, indústria e serviços do
Rio de Janeiro (SEDEIS-RJ) e da Secretaria dos Transportes do Rio
de Janeiro (SETRANS-RJ).
O Rio de Janeiro é um dos principais estados
onde se consome mais GNV. A frota fluminense de gás natural
supera os 400 mil automóveis. De acordo com Jorge Loureiro,
superintendente de gás da SEDEIS-RJ, o programa de utilização
do GNV na frota de ônibus da região metropolitana do
Rio de Janeiro tem previsão de implantação
para a Copa de 2014.
A adoção de combustíveis menos
poluentes já se tornou uma necessidade; mais de 10 milhões
de veículos no mundo, entre caminhões e ônibus,
já circulam a base de gás natural ou biogás.
O desenvolvimento do gás natural é um dos objetivos
mais perseguidos por governos de diversos países, principalmente,
os da União Européia. |