| São
Paulo, 24 de maio de 2011.
A ANP, que embora não seja uma agência de noticias
já supera os recordes de informações e tiragem
da UPI na década de 70, volta às páginas dos
jornais e vozeirões dos telejornais trazendo nova grande
notícia: quatro e meio bilhões de barris de petróleo
estão armazenados em arcas naturais no fundo dos mares, dentro
das duzentas milhas, assim em território oceânico brasileiro.
Como eu muitos estão pasmos, é muito
tesouro enterrado por aí, meu Deus do Céu vamos enriquecer,
Colombo nunca pensou que esta riqueza estava disponível,
nem Dom João VI, senão a coisa teria sido diferente
tenham certeza.
Agora, será qual a parte do povo brasileiro?
Será que os meninos das casas correcionais da juventude vão
poder trocar o trafico e o crime de esquina pelo trabalho, embora
pesado, digno de operar e manter as novas caravelas que operarão
o novo ciclo das grandes descobertas. Será que a riqueza
dos tesouros do fundo do mar vão se transformar em valiosa
dignidade de um povo que vem sendo saqueado a 500 anos.
Corremos o risco de vermos mais uma artéria
aberta na América Latina?
Dizia assim o escritor que gravou com toda a oficialidade a descoberta
do tesouro, que ainda não fica bem claro quem descobre, mas
lemos como se divulga: “A Agência Nacional do Petróleo
(ANP) anunciou ontem a descoberta de uma reserva de petróleo
estimada em 4,5 bilhões de barris, que se configura como
a segunda maior do País, atrás apenas do megacampo
de Tupi. O megacampo, batizado informalmente de Franco, está
localizado em área ainda não licitada pelo governo
e poderá ser utilizado para a realização da
operação de capitalização da Petrobras,
em que a União cederia à estatal o direito de exploração
em uma troca indireta por ações da companhia. A conta
foi feita utilizando padrões de cálculo semelhantes
aos usados pela Petrobras em Tupi, o que ampliou o volume de reservas
com relação a projeções internas anteriores,
que ficavam na casa dos 2 bilhões de barris por dia.”
Quem descobriu? Quem calculou? Quem vai buscar
o tesoura lá embaixo? Pra quem fica o dinheiro da venda?
Quanta coisa que não se escreve ou se fala. E a pergunta
principal para todos aqueles quinze milhões de consumidores
de gás natural encanado que pagam contas pesadas por um combustível
caríssimo, e que muitas vezes não tem outra alternativa
a não ser consumi-lo, com as donas de casa dos condomínios
da capital paulistana ou carioca, ou ainda o transportador das verduras
e cereais que não consegue sair da sua Kombi 88 para uma
“Van” diesel importada da Coréa ou China.
O gás natural associado ao petróleo,
combustível barato, até pouco tempo atrás cuidado
como rejeito e hoje a cargo de empresas desnorteadas pelas dúvidas
e políticas de sua venda, a do gás é claro,
fica cada vez mais fora do contexto. Será que acabou o interesse
por seu aproveitamento? Bom se for isso é só no Brasil,
e pelo que parece por um grupo empreendedor fechado, com interesses
próprios e dispostos a trabalhar para que haja lucro no empreendimento.
Hoje temos um único Estado membro da Nação
brasileira que cuida do gás natural como produto de consumo
necessário e de relevância econômica que é
o Estado do Rio de Janeiro, com suas duas distribuidoras também
privatizadas. O gás natural, conhecido como GN, é
importante não só para os milionários investimentos
na geração de energia elétrica e indústrias
que consomem grandes quantidades de calor, mas principalmente para
o consumidor, classe C e D principalmente, pois as Classes A e B
podem ter um “Boby-Tail” para movimentar carrinhos nos
clubes, aquecer água da piscina, ser distribuído nas
cozinhas e aquecedores dos condomínios a qualquer momento,
e creiam que os preços são bem mais atrativos para
esse tipo de consumidor, o consumidor do GLP. Sem dúvida
o gás natural é um combustível para o consumidor
menos favorecido pelo sistema econômico, uma fonte básica
de energia para o consumidor marginal do capitalismo selvagem.
Fechando esse rascunho de texto informativo, afinal
tudo que se quer contar hoje é que o diretor geral da ANP
conta com mais 4,5 Bilhões de Barris, então fica o
aviso de que haverá mais gás natural por aí
e que os brasileiros não perderam ainda a noção
dos abusos que os governantes cometem ao criarem carestia e desabastecimento
em função de planos vantajosos de grupos políticos
e empresários famintos por dinheiro. O GNV, combustível
que o mundo busca como solução para movimentar suas
frotas de forma sustentável é uma incógnita
em nossa terra, por isso tudo e da forma que tratamos o assunto
do gás natural neste texto, acima. A verdade um dia virá
a tona, associada à riqueza do ouro negro, pois o gás
associado ao petróleo sempre sobe a tona.
Antonio José Teixeira Mendes é diretor
executivo da ABgnv em várias gestões, foi professor
de físico química no curso de Formação
de Técnicos em Automobilística do SENAI-SP, criou
o primeiro curso de formação de Mecânicos-Convertedores
de veículo para gás do Brasil em 1998, atualmente
dirige uma empresa de projetos na área de energia combinada.
Aficionado pelo uso do metano como combustível atual na área
desde 1978.

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