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GNV única garantia de economia sustentável para a Petrobras e para o Brasil.
Por: Antonio J. T. Mendes
 

São Paulo, 24 de maio de 2011.

Com o desmonte do sistema de GNV no Brasil e o crescimento do consumo de óleo Diesel e combustível de aviação, afora a gasolina que passamos a importar e deixamos de vendê-la aos países clientes, o discurso de muitos especialistas em economia do petróleo mudou, o que era investimento de longo prazo passou para curto prazo, senão urgente, e os projetos chamados de faraônicos passaram a ser vistos como nanicos. Isto prova o quanto nós, brasileiros, não estamos prontos para planejar, afinal criticar é um dos atos mais importantes para que se possam fazer planos, junto a critica técnica deve vir o diálogo, regra dialética do planejamento estruturado.

Bem não vamos nos estender em regras de administração ou simplesmente administrativas, mas que estamos pagando um preço elevado pelos atos do governo ao desviar por motivos exclusivos da política interna ou até partidária os programas em andamento como o do GNV. Programa no qual a sociedade investiu dinheiro e acreditou, e o próprio governo investiu dinheiro público, sendo que agora, neste momento as condições adversas e negativas dos volumes de derivados disponíveis para manter a frota brasileira em movimento produtiva e sustentável são propicia a um combustível alternativo que cubra principalmente o uso do óleo Diesel para manter os transportes de cargas e os coletivos urbanos.

O desespero pode ser visto em várias fontes, o Globo falou em dobrar a refinaria “COMPERJ” em Itaboraí, refere-se ao “aumento do consumo de alguns combustíveis no país, como óleo diesel e querosene de aviação, obrigaram a Petrobras a mudar significativamente o projeto do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em construção em Itaboraí, no Estado do Rio. A companhia decidiu construir, em vez de uma, duas refinarias – cada uma com capacidade para processar 165 mil barris de petróleo pesado. E, em vez de só produzir as matérias-primas para o setor petroquímico, vai produzir diesel e QAV. A quantidade dos petroquímicos será a mesma do projeto original.” Quanto tempo será necessário para que o produto refinado nestas refinarias cheguem às bombas de combustível?

Outro ponto importante nesta questão de planejamento, desmandos, vontades políticas, contas públicas, necessidades imediatas e desmonte do parque do GNV é o custo direto das obras urgentes, se o “COMPERJ” já sofria criticas por superfaturamento, o que demonstra que alguém notou que a obra é muito cara, seu custo vai aumentar muito pela pressa em concluí-la em menor tempo, pois a rapidez tem um preço muito alto, só superado pelo corte na empreitada ou desmanche de algo já posto, como o que ocorreu com GNV, mercado que nesse momento deve acumular mais de 10 milhões em investimento, em sua maior parte perdidos. A conclusão de obras gigantescas, como indica o Globo: “Serão produzidos 2,15 milhões de metros cúbicos por ano QAV e 9,36 milhões de metros cúbicos por ano de diesel. Segundo o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, a primeira refinaria entrará em operação em fins de 2013, um ano mais tarde em relação ao prazo anterior do projeto.” em curto espaço de tempo pode ser um desperdício ou um superfaturamento, como é comum serem denunciadas, mas a decisão está tomada, a estatal vai em frente, contando com a sua credibilidade pública.

Nós brasileiros amamos a Petrobras, e com isso há um certo abuso sobre perdoar erros e não planejar, como também perdoar ações destrutivas como a que ocorreu com o segmento de mercado do gás natural mais lucrativo e querido dos motoristas que trabalham com veículos leves nos centros urbanos, o GNV. Digo isso por que é comum encontrar pessoas que desacreditam no GNV, após afirmações tão negativas feitas pela própria Administração Executiva da Petrobras, mas ainda acreditam em tudo que a estatal anuncia e é provável que tenha investidores parceiros que arrisquem nas suas ofertas, as refinarias de Itaboraí serão 100% da Petrobras, afirmou o Globo, mas já houve um período que se propôs que o “COMPERJ” seria uma refinaria tipo condomínio de empresas do setor petroquímico.

Acredito que todos os brasileiros estão torcendo para que tudo de muito certo, mas acredito muito mais que se as portas da Petrobras, como empresa pública, se abrissem para discutir alguns de seus planos teria um índice de acerto maior e não prejudicaria tantos brasileiros como os que investiram suas economias no GNV, tantas empresas que aplicaram no segmento da distribuição do gás natural para a frota brasileira, investiram no desenvolvimento de tecnologia e na instalação de um dos mercados que em sua categoria já foi considerado um dos maiores do mundo, como gostamos de sermos vistos. Se quisermos em curto espaço de tempo substituir o uso do Diesel pelo GNV basta um sinal positivo a favor disso dado pela Petrobras, as frotas de muitas cidades e das principais metrópoles poderiam consumir o combustível já disponível, barato e limpo, poupando o consumo do Diesel. Bastaria que a Petrobras assumisse um mercado com infra-estrutura pronta, como líder e supridora do GNV. Por tanto esperamos um pouquinho mais da Petrobras, e, tenham certeza, não estamos enganados.

Antonio José Teixeira Mendes é diretor executivo da ABgnv. Nos anos oitenta trabalhou no desenvolvimento do primeiro compressor de alta pressão para gás metano veicular – GMV, com tecnologia totalmente brasileira. Na década de noventa além de ter se dedicado ao comércio de recondicionamento de motores Diesel e conversão destes para o uso de gás natural, montou cursos de formação de retificadores de motores e recondicionamento de cabeçotes, onde mais tarde foi professor de termo dinâmica e práticas de laboratório de química no curso de Formação de Técnicos em Automobilística do SENAI-SP. Criou o primeiro curso de formação de Mecânicos-Convertedores de veículos para gás do Brasil em 1998 em São Paulo, curso que foi levado para as cadeiras do CTGás em Natal, atualmente dirige uma empresa de projetos na área de energia combinada. Aficionado pelo uso do metano como combustível atua na área desde 1978.

 

Projetos
O mercado do GNV está crescendo e a cada dia que passa mais cidades aderem ao uso do Gás Natural Veicular, mas para que esse mercado continue crescendo é preciso que os postos tenham uma infra-estrutura adequada.

A utilização do Gás Natural com fim automotivo justifica-se basicamente pela disponibilidade desse vetor energético, em grande quantidade no Brasil, bem como na Bolívia e Argentina...
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