| São
Paulo, 24 de maio de 2011.
Com o desmonte do sistema de GNV no Brasil e o
crescimento do consumo de óleo Diesel e combustível
de aviação, afora a gasolina que passamos a importar
e deixamos de vendê-la aos países clientes, o discurso
de muitos especialistas em economia do petróleo mudou, o
que era investimento de longo prazo passou para curto prazo, senão
urgente, e os projetos chamados de faraônicos passaram a ser
vistos como nanicos. Isto prova o quanto nós, brasileiros,
não estamos prontos para planejar, afinal criticar é
um dos atos mais importantes para que se possam fazer planos, junto
a critica técnica deve vir o diálogo, regra dialética
do planejamento estruturado.
Bem não vamos nos estender em regras de
administração ou simplesmente administrativas, mas
que estamos pagando um preço elevado pelos atos do governo
ao desviar por motivos exclusivos da política interna ou
até partidária os programas em andamento como o do
GNV. Programa no qual a sociedade investiu dinheiro e acreditou,
e o próprio governo investiu dinheiro público, sendo
que agora, neste momento as condições adversas e negativas
dos volumes de derivados disponíveis para manter a frota
brasileira em movimento produtiva e sustentável são
propicia a um combustível alternativo que cubra principalmente
o uso do óleo Diesel para manter os transportes de cargas
e os coletivos urbanos.
O desespero pode ser visto em várias fontes,
o Globo falou em dobrar a refinaria “COMPERJ” em Itaboraí,
refere-se ao “aumento do consumo de alguns combustíveis
no país, como óleo diesel e querosene de aviação,
obrigaram a Petrobras a mudar significativamente o projeto do Complexo
Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em construção
em Itaboraí, no Estado do Rio. A companhia decidiu construir,
em vez de uma, duas refinarias – cada uma com capacidade para
processar 165 mil barris de petróleo pesado. E, em vez de
só produzir as matérias-primas para o setor petroquímico,
vai produzir diesel e QAV. A quantidade dos petroquímicos
será a mesma do projeto original.” Quanto tempo será
necessário para que o produto refinado nestas refinarias
cheguem às bombas de combustível?
Outro ponto importante nesta questão de
planejamento, desmandos, vontades políticas, contas públicas,
necessidades imediatas e desmonte do parque do GNV é o custo
direto das obras urgentes, se o “COMPERJ” já
sofria criticas por superfaturamento, o que demonstra que alguém
notou que a obra é muito cara, seu custo vai aumentar muito
pela pressa em concluí-la em menor tempo, pois a rapidez
tem um preço muito alto, só superado pelo corte na
empreitada ou desmanche de algo já posto, como o que ocorreu
com GNV, mercado que nesse momento deve acumular mais de 10 milhões
em investimento, em sua maior parte perdidos. A conclusão
de obras gigantescas, como indica o Globo: “Serão produzidos
2,15 milhões de metros cúbicos por ano QAV e 9,36
milhões de metros cúbicos por ano de diesel. Segundo
o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, a
primeira refinaria entrará em operação em fins
de 2013, um ano mais tarde em relação ao prazo anterior
do projeto.” em curto espaço de tempo pode ser um desperdício
ou um superfaturamento, como é comum serem denunciadas, mas
a decisão está tomada, a estatal vai em frente, contando
com a sua credibilidade pública.
Nós brasileiros amamos a Petrobras, e com
isso há um certo abuso sobre perdoar erros e não planejar,
como também perdoar ações destrutivas como
a que ocorreu com o segmento de mercado do gás natural mais
lucrativo e querido dos motoristas que trabalham com veículos
leves nos centros urbanos, o GNV. Digo isso por que é comum
encontrar pessoas que desacreditam no GNV, após afirmações
tão negativas feitas pela própria Administração
Executiva da Petrobras, mas ainda acreditam em tudo que a estatal
anuncia e é provável que tenha investidores parceiros
que arrisquem nas suas ofertas, as refinarias de Itaboraí
serão 100% da Petrobras, afirmou o Globo, mas já houve
um período que se propôs que o “COMPERJ”
seria uma refinaria tipo condomínio de empresas do setor
petroquímico.
Acredito que todos os brasileiros estão
torcendo para que tudo de muito certo, mas acredito muito mais que
se as portas da Petrobras, como empresa pública, se abrissem
para discutir alguns de seus planos teria um índice de acerto
maior e não prejudicaria tantos brasileiros como os que investiram
suas economias no GNV, tantas empresas que aplicaram no segmento
da distribuição do gás natural para a frota
brasileira, investiram no desenvolvimento de tecnologia e na instalação
de um dos mercados que em sua categoria já foi considerado
um dos maiores do mundo, como gostamos de sermos vistos. Se quisermos
em curto espaço de tempo substituir o uso do Diesel pelo
GNV basta um sinal positivo a favor disso dado pela Petrobras, as
frotas de muitas cidades e das principais metrópoles poderiam
consumir o combustível já disponível, barato
e limpo, poupando o consumo do Diesel. Bastaria que a Petrobras
assumisse um mercado com infra-estrutura pronta, como líder
e supridora do GNV. Por tanto esperamos um pouquinho mais da Petrobras,
e, tenham certeza, não estamos enganados.
Antonio José Teixeira Mendes
é diretor executivo da ABgnv. Nos anos oitenta trabalhou
no desenvolvimento do primeiro compressor de alta pressão
para gás metano veicular – GMV, com tecnologia totalmente
brasileira. Na década de noventa além de ter se dedicado
ao comércio de recondicionamento de motores Diesel e conversão
destes para o uso de gás natural, montou cursos de formação
de retificadores de motores e recondicionamento de cabeçotes,
onde mais tarde foi professor de termo dinâmica e práticas
de laboratório de química no curso de Formação
de Técnicos em Automobilística do SENAI-SP. Criou
o primeiro curso de formação de Mecânicos-Convertedores
de veículos para gás do Brasil em 1998 em São
Paulo, curso que foi levado para as cadeiras do CTGás em
Natal, atualmente dirige uma empresa de projetos na área
de energia combinada. Aficionado pelo uso do metano como combustível
atua na área desde 1978.
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